Coloque os estudantes no centro do processo de aprendizagem com as metodologias ativas de ensino

Conheça os pontos-chave e exemplos do mundo real para aplicar esses princípios

Você, professor, já deve ter se deparado com situações em que os alunos estão desmotivados e pouco participativos em sala de aula. Que tal refletirmos sobre os processos de ensino e como torná-los mais interessante para os estudantes? Uma das discussões atuais sobre educação giram em torno das metodologias ativas de ensino.

A abordagem parte do princípio de que o estudante é protagonista de sua aprendizagem e sugere que o professor passe de transmissor a mediador de conhecimento, incentivando que os alunos busquem soluções para problemas do mundo real.

Nesta abordagem, há três pontos-chave, sendo que o primeiro é que a maneira de obter conhecimento é sendo proativo e investigando a temática. Entra aqui o aprender a aprender: o aluno tem incentivo para construir seu próprio aprendizado, sem depender do professor (abaixo você encontra mais detalhes sobre como desenvolver a independência do aluno).

O segundo é incentivar a aprendizagem colaborativa, que nada mais é do que o aprendizado realizado em conjunto, que provem da colaboração e interação dos estudantes, sendo que todos os indivíduos participam como atores que constroem o conhecimento mútuo.

E o terceiro ponto é que as metodologias ativas de ensino são aplicáveis, ou seja, o indivíduo pode utilizar o conhecimento no seu dia a dia, na sua vida pessoal e para melhorar a sociedade, o que promove uma aprendizagem mais significativa.

Desconstruindo padrões

Jackie Gerstein, doutora em educação com ênfase em psicologia educacional, ressalta que é necessário deixar alguns padrões de lado para trabalhar com metodologias ativas de ensino. Para ela, as aulas expositivas, as quais o professor fica à frente da sala de aula, transmitindo conteúdo, nem sempre são as melhores opções para promover a aprendizagem. “Muitas vezes este processo se torna apenas uma transposição das anotações do professor para o caderno do aluno sem que tenham a oportunidade de reflexão”.

Outra crença que merece reflexão é a que uma sala de aula silenciosa é mais adequada. Segundo ela, momentos em que os alunos são autorizados a explorar e a criar seus próprios conteúdos e objetos são também extremamente ricos.

Ficou interessado? Veja abaixo alguns exemplos práticos de como as escolas utilizam as metodologias ativas de ensino:

• Ensino Fundamental

A startup Escola de Inventor, de Ribeirão Preto (SP), adotou as metodologias ativas no ensino quando os professores perceberam que os alunos copiavam sem absorver o conteúdo das aulas de robótica e programação.

A instituição passou então a utilizar os princípios da cultura maker (a qual é possível consertar, modificar, criar e produzir objetos com as mãos), e do método scrum (que divide o projeto em pequenas partes, colocando prioridades e tempo para a conclusão de cada etapa) durante as aulas.

Os alunos relatam que as atividades, feitas no contraturno, os auxiliam no ensino regular. O aluno André Cassin descreve que aprender sobre o plano cartesiano para montar programas de computador, lhe trouxe facilidades nas aulas de matemática. “Eles conseguem explicar as coisas de um jeito bem simples e tentam dar muitos exemplos”, reflete.

• Ensino Médio

O professor de geografia Fernando Roberto Amorim Souza, do Instituto Federal do Paraná, dividiu os conteúdos da disciplina em dez partes para grupos de quatro alunos, o ano também foi dividido em ciclos de 20 dias. Para auxiliar nessas divisões, o professor de matemática deu apoio, utilizando fundamentos de análise combinatória e realizando associações em uma tabela, para que cada aluno passasse por um tema da matéria, sem repetições.

Assim, foi possível garantir que todos os alunos estudassem os dez conteúdos de geografia. Depois disso, o professor cadastrou seus alunos em uma plataforma virtual e colocou recursos educacionais abertos na biblioteca, para o estudante ter contato com a disciplina mesmo fora do horário da aula.

Nos dias das aulas, os alunos debatiam sobre o assunto com seus colegas e podiam ir para todos os espaços escolares, sendo que o professor os visitava para auxiliar nesse debate. Cada aluno estudava um tema e ensinava aos demais colegas o que tinham aprendido, podendo usar até jogos eletrônicos e vídeos, facilitando a compreensão sobre a temática.

No final, o grupo fez um resumo do que aprendeu e colocou os conteúdos na plataforma para auxiliar os alunos que precisavam pesquisar sobre o tema no próximo período, e apresentava oralmente ao professor.

Quer se aprofundar mais?

Guia Metodologias Ativa 
Blog da Luciana Allan, diretora técnica do Instituto Crescer – artigos,
livros, palestras e documentos sobre educação.
Blog Jackie Gerstein – projetos de educação maker e STEAM entre outros tópicos do setor educacional.

Boas aulas!