Vencedor do Prêmio 2018: Brincadeiras Brasileiras

Autores: Patrícia de Oliveira Cardoso
Escola: E.M. Prof. Edemir Antonio Digiampietri
Cidade: Sorocaba (SP)
Objetivos: Estimular a prática de exercícios físicos por meio do resgate de brincadeiras tradicionais dos povos indígenas, europeus e africanos.

O ato de brincar é uma atividade física completa e traz inúmeros benefícios não só para o corpo, mas também para a mente. Contribui com o desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas e sociais e é um eficiente recurso pedagógico.

Com o objetivo de estimular a prática de exercícios físicos na Escola Municipal Profº Edemir Antonio Digiampietri, de Sorocaba, SP, a professora Patrícia de Oliveira Cardoso desenvolveu o projeto Brincadeiras Brasileiras. O trabalho visa o resgate das brincadeiras dos povos indígenas, portugueses e africanos por meio da confecção de brinquedos com materiais recicláveis.

“Com a introdução de aparelhos eletrônicos, como celulares, notebooks e tablets, as crianças perderam o hábito de brincar na rua. Eles desconhecem as brincadeiras tradicionais praticadas pelos seus pais e avós”, reflete a idealizadora do projeto.

Passo a passo do projeto

Passo 1 – Pesquisa sobre brincadeiras tradicionais

Alunos realizaram pesquisas sobre as brincadeiras praticadas por índios, portugueses e africanos e fizeram uma lista de brincadeiras e brinquedos a serem confeccionados.
Nesta etapa, os estudantes também levaram para casa um questionário com perguntas a serem respondidas pelos pais sobre suas brincadeiras favoritas na infância. Foi constatado, que os pais, em sua maioria, brincavam na rua, de brincadeiras como bets, mãe da rua, pega-pega, esconde-esconde, subir em árvores e possuíam poucos brinquedos, como bola e boneca.
Em um terceiro momento, os alunos realizaram a mesma pesquisa com os seus avós, revelando o hábito de confeccionar os próprios brinquedos, como bonecas de pano e carrinhos de lata de óleo.

Passo 2 – Confecção de brinquedos

Depois da pesquisa, os alunos passaram a confeccionar brinquedos com materiais reciclados, como garrafas PET, tampas de garrafa e CDs usados. Em seguida, os alunos brincavam no pátio e registravam as suas impressões sobre as brincadeiras.
As selecionadas foram: peteca, pião, boneca Abayomi, cama de gato, balangandã, corda, cinco Marias, Amarelinha, Escravos de Jó, Cantigas de Roda, bolinha de gude e elástico.

Passo 3 – Pesquisa sobre hábitos alimentares dos alunos

Nesta fase, os estudantes foram orientados a levar as embalagens dos alimentos e bebidas mais consumidas em casa para análise e discussão em sala de aula. Os estudantes também foram instruídos a anotar quantos copos d’água consumiam ao longo do dia.

Passo 4 – Confecção da Pirâmide Alimentar de massinha

Após o levantamento dos hábitos alimentares e estudos sobre a Pirâmide Alimentar, os participantes do projeto foram convidados a confeccionar uma pirâmide alimentar de massinha. Cada turma ficou responsável por um grupo alimentar e o trabalho foi exposto para toda a escola.

Passo 5 – Confecção do painel do “Prato Ideal”

Em uma roda de conversa, foi discutido o que seria uma alimentação balanceada e como montar um prato diversificado. Para elucidar e tornar o objeto de estudo significativo, os alunos recortaram de revistas figuras de alimentos que consideravam saudáveis e apropriados para uma refeição.
Em seguida, eles receberam um prato descartável para colar essas figuras. O prato deveria ser variado e conter legumes, verduras, proteínas, cereais e leguminosas. Dessa forma, eles puderam compreender melhor a importância de um prato colorido e diversificado. O trabalho também foi exposto em um painel para toda a escola.

 

Passo 6 – Confecção de quadro comparativo da quantidade de açúcar das bebidas

Nesta etapa, foi produzido um painel comparativo que informa sobre a quantidade de açúcares das bebidas mais consumidas pelos alunos em suas casas.
Em um cartaz foram coladas as embalagens de refrigerantes, sucos em pó, de lata, achocolatados e abaixo eles colocaram “saquinhos” que continham a quantidade exata de açúcar de cada produto.
Esta ação visou promover a conscientização sobre a importância do equilíbrio na alimentação e a redução do consumo de açúcar refinado, além da importância de consumir água, especialmente após a prática de atividades físicas.

Passo 7 – Oficina de brinquedos

Com o intuito de engajar as outras turmas no projeto, os alunos do 5 º ano organizaram oficinas de confecção de brinquedos para as demais turmas da escola, unindo diversão e aprendizagem em uma única ação. Nesta fase também foi realizada uma exposição de brinquedos indígenas, portugueses e africanos para a escola.

Passo 8 – Entrega das “caixinhas de brincar”

Cada turma recebeu uma caixinha com os brinquedos confeccionados pelos alunos do
5 º ano para que todos tivessem a oportunidade de conhecer as brincadeiras aprendidas no projeto. Dentro das caixas havia petecas, bolinhas de gude, elástico, balangandãs, piões, Abayomis e Cinco Marias.

Passo 9 – Visita de indígenas de tribos Amazônicas

Dois estudantes indígenas da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos campus Sorocaba), foram a escola para conversar com os alunos sobre os costumes indígenas, como vestuário, alimentação, idioma e estereótipos da cultura indígena.
Os estudantes puderam fazer perguntas e depois os convidados ensinaram várias brincadeiras praticadas nas tribos.

Passo 10 – Presente do Dia das Crianças

Anualmente, a Escola Municipal Professor Edemir Antonio Digiampietri presenteia os alunos no Dia das Crianças. Em 2018, os brinquedos foram confeccionados pelos pais dos estudantes, que montaram 2.500 saquinhos contendo pião de madeira, bolinhas de gude, cama de gato e 5 Marias.

Passo 11 – Piquenique Saudável

Várias turmas fizeram o dia do piquenique saudável, cujo lema era “Desembale menos, descasque mais”. Essa ação incentivou a experimentação de novos alimentos e a interação com os colegas.

Passo 12 – Cadernos de Receitas

O interesse por alimentos mais saudáveis fez com que a turma sentisse a necessidade de desenvolver um caderno de receitas. Este material foi levado para casa e as crianças puderam fazer as receitas com os familiares.

Passo 13 – Apresentação do projeto para a comunidade escolar

Alunos do 5º ano confeccionaram um painel sobre o projeto para ser apresentado durante o evento de culminância, que envolveu pais, alunos, professores, gestores e demais funcionários da escola.

Passo 13 – Avaliação

Foram utilizados como instrumentos de mensuração:
• Relatos da equipe gestora, dos alunos, professores, inspetores, merendeiras e pais
• Gráficos que registraram o comportamento dos estudantes durante o intervalo da escola. Esses materiais eram expostos mensalmente nas salas de aula
• Tabelas com registros diários do consumo de água dos alunos. Essas tabelas eram afixadas nas salas de aula, permitindo observar um aumento significativo do consumo de água na escola.
• Levantamento do IMC dos alunos

Resultados

• Participação ativa de 525 alunos e 20 professores no projeto
• Redução das ocorrências de briga durante os intervalos
• Envolvimento da comunidade escolar e a interação das famílias
• Aprendizagem, desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais por meio do resgate de brincadeiras tradicionais
• Exploração de outras modalidades de esporte
• Desenvolvimento da autonomia por meio da implantação do sistema self-service

 

Para saber mais clique aqui e acesse a página do projeto.